Afinal,
quem é você? *
por
Alessandro Meiguins
Como
seria uma vida sem espelhos? Sem registros de nossa própria aparência?
Sem imagens, desenhos ou fotografias de nós mesmos? Sem que soubéssemos
o contorno do nosso perfil, a proporção da boca diante das sobrancelhas
e nariz? O comprimento das orelhas, a coloração dos olhos? Veríamos
todo o mundo, mas não nos veríamos.
O
que seríamos, sem nos vermos?
Ou,
pelo contrário: como seria uma vida cheia de espelhos? Se só pudéssemos
ver nossa face em todas as outras faces? Muitos e muitos registros
de nós, da nossa expressão? Tudo que olhássemos seria mudado por
nosso modo de ver a vida, pelo jeito de falarmos, pelo jeito de
ouvirmos? Não veríamos o mundo, apenas a nós mesmos.
O
que seríamos, só nos enxergando e mais nada?
As
hipóteses acima não são apenas suposições delirantes e distantes,
como parecem. Elas representam realidades concretas do nosso universo.
Relembre, você já pode ter agido assim (eu admito que já o fiz,
e faço). No primeiro caso, como e quando isso se daria? Nas vezes
em que mal nos enxergamos, ou pouco nos conhecemos para delimitar
com certeza nossos reais dons e vontades. Fases sem nitidez, clareza,
quando as obrigações cotidianas parecem tomar conta de tudo...
Na outra banda, há momentos em que só enxergamos o mundo – e nossas
relações nele – conforme o que queremos, e distorcemos tudo a
nosso bel-prazer. A realidade que se adapte!
Situações
opostas, verdade, e nem sempre freqüentes, mas que mostram uma
ínfima parte do imenso universo que forma a personalidade de cada
um. Nela, essência, heranças, aspirações, desejos e sonhos se
misturam a relações, máscaras, responsabilidades, dores, alegrias...
No meio dessa salada completa do tamanho do (seu) mundo, está
a resposta para a pergunta da reportagem que você irá ler nas
próximas páginas. Uma pergunta que também ultrapassa toda e qualquer
letra impressa.
Quem
somos nós, afinal?
Genética
de bamba!
Sem
sombra de dúvida, ao chorar o bebê recebe tudo de que precisa.
Leite quentinho, troca de roupa, balanço do chocalho, atenção,
abrigo, amor. Basta chorar, ou pedir, e voilá, lá vem mamãe ou
papai atender as necessidades. Aos poucos, inevitavelmente, esse
cenário muda. O bebê se torna uma criança e começa a participar
daquela outra vida além do berço, o mundo dos adultos. Tem hora
para comer, para dormir, para brincar, para deixar de usar fraldas.
Além disso, ela passa a reproduzir o que vê, o que ouve, o que
compreende e apreende da vida familiar. Copia tudo, mesmo porque
seus genes a ajudam nessa tarefa. Explicação: por muito tempo
se definiu que a personalidade nascia na infância, nos primeiros
sete anos de vida. Mas estudos recentes, de algo conhecido como
genética comportamental, afirmam que desde o momento em que seus
cromossomos X e Y determinam seu sexo, seu lindo olhar e seu jeito
de gingar, eles também influenciam as características do seu “perfil
de personalidade”, como relata o psicólogo americano Steven Pinker
no livro Tábula Rasa. Bom humor seria hereditário, assim como
ouvido musical ou aquela inclinação à leitura. Mas não é só isso,
claro.
Somada
aos genes, é nessa convivência familiar e na necessidade de interação
que a personalidade embrionária dá seus primeiros passos. “Suco”,
a criança diz, e às vezes trazem suco, às vezes não. Por que,
ora bolas, só às vezes? E se gritar, vem? E se chorar? E se sorrir,
ou beijar, ou abraçar? A criança testa os caminhos, percebe que
alguns não funcionam. Até que compreende como fazer pontes com
a realidade exterior – e como pedir um suco, uma bola e, incrível,
que seu pai brinque com ela mesmo com aquela cara de cansado.
Em outros momentos, a criança não entende nada, se assusta, fica
com medo – e cria proteções, barreiras contra o mundo. Por que
não podia rir alto naquela casa grande chamada de igreja? Por
que ficar de castigo por subir na mesa e se pendurar no lustre?
“Nesses momentos difíceis de relação com o mundo, montamos defesas
para proteger e esconder as emoções. Nascem nossas máscaras”,
diz a psicóloga e terapeuta corporal Maria das Graças Casarsa,
especializada em Core Energetics, terapia focada em dissolver
bloqueios emocionais utilizando o corpo como instrumento de diagnóstico.
Armadilhas
internas
Mesmo
com essa característica protetora, as máscaras são funcionais
e nos ajudam a estabelecer formas de comunicação. Com elas, vestimos
inúmeros códigos sociais. Nos adaptamos às regras de comportamento
do ônibus escolar, do trânsito estafante, do vôo intercontinental.
Registramos nossa identidade, usamos carteira com documentos,
pagamos as contas (quase) em dia, conversamos com clientes, vendemos
nosso peixe, enviamos e-mails, paqueramos, amamos, brigamos. “A
personalidade com máscaras não tem um caráter negativo, pois essa
estrutura apresenta o indivíduo, com seus dons e suas aspirações,
ao ambiente social”, explica Elizabeth Zimmermann, presidente
da Associação Junguiana do Brasil.
Mas
no quesito “quem somos nós?” é preciso dizer que esses instrumentos
da persona têm sua contra-indicação. Seriam um pouco intrometidos
e surgiriam mesmo quando não fossem convidados para a cena. Para
completar, durariam por toda a vida. Quer um exemplo? Esse é clássico.
Lá está você levando aquela bronca da(o) esposa(o), mesmo quando
você é que está com a razão. Em vez de retrucar, dialogar, debater,
se encolhe, assustado, pois foi assim que você se safou quando
levava um pito de igual porte da(o) sua (seu) mãe (pai), nos idos
da infância. A máscara já não é mais útil, mas aparece mesmo assim.
Imagine que isso aconteça muitas e muitas vezes, até o ponto –
seja na idade que for – em que você cria uma imensa máscara, para
tudo e para todos. Antes de qualquer agressão, melhor se defender,
não? Ficar em uma bolha emocional, auto-isolante das fortes emoções
do mundo. E incapaz de mostrar a si mesmo, tão automatizado que
estaria. Como os peixes que são vendidos em feiras, nadando presos
em sacos plásticos com água. E agora? É isso? Isolado e acabou?
Talvez seja melhor abrir a couraça, não? “Quando começamos a sentir
as amarras que algumas máscaras trazem, começa o processo de reconstrução
de sua personalidade, de uma forma mais aberta às emoções. E começamos
a expressar a nós mesmos de forma mais verdadeira”, diz Maria
das Graças Casarsa.
Espelho,
espelho meu
Mas
como descobrimos essas tais amarras? Existe algum tipo de manual
para achar nossas travas, nossos escudos? Na fala de todos os
especialistas consultados, as dicas são simples. De certa forma,
o espelho vai nos ajudar. A princípio, deixe de lado o que está
no banheiro e use um tirado da sua imaginação. Quando não se sentir
bem e sua relação consigo mesmo não estiver tão boa, reveja suas
atitudes, como se estivesse vendo um filme. Como naquele dia em
que, digamos, você queria tanto ter terminado o relatório, mas
foi protelando o trabalho até ser tarde demais para fazê-lo durante
o expediente. Levou o trabalho para casa, mas no meio do caminho
encontrou uns amigos, parou e resolveu deixar para o outro dia,
antes da primeira hora. Então a noite dá lugar a uma nova manhã,
mas a cama estava daquele jeito, no ponto, e nada de você levantar
cedo. Começa o expediente, e lá vai você duplamente atrasado inventar
para a chefia que teve um problema em casa, mas que logo termina
tudo. Nesse exemplo trivial, a máscara está nas mentiras que você
mesmo se prega. E nas desculpas esfarrapadas que inventa para
si e para os outros sobre seu desempenho profissional.
E,
em se tratando dos outros, pode acreditar que suas relações podem
ser de extrema valia para você se enxergar melhor. Sem exageros
ou mansidão. Se todo mundo fala que você é organizado, talvez
valha a pena dar crédito a isso. Você pode ser, sim, dessa forma.
Mas a questão maior que envolve as máscaras é se você é organizado
para os outros verem e falarem disso e você abrir sua cauda de
pavão, ou se você é organizado de verdade. Aliás, tudo que faz
parte do seu universo exterior vai, de um jeito ou de outro, refletir
uma parte de você. No outro extremo das suposições, o carro bagunçado
e sujo pode ter múltiplos significados. Um, você está sem dinheiro
e tempo para lavar a máquina. Pronto, sem drama. Dois, você não
liga para sujeira e é bagunçado por natureza. Ok, tudo certo.
Três, você entra em crise com aquela bagunça, que parece dizer
que toda sua vida está uma zoeira. Existem mais opções, claro.
Anote a sua. E, quando possível, bata um papo com alguém que possa
ouvi-lo com um pouco de isenção. Para mim, um diálogo desse tipo
aconteceu de surpresa, mas foi importantíssimo. Conto no próximo
parágrafo.
Em
análise
Já
passa de 12 anos que Marcelo conversa, sem parar, com pessoas
de todos os tipos. Faz parte da sua rotina, e além de tudo é algo
que lhe dá prazer. Escuta com paciência, anota os trechos mais
importantes, espera a deixa correta e fala. Muito, por sinal.
Sempre com o mesmo tom de voz, com olhar de amigo, gesticulando
de forma animada. Afinal, ele é médico e está lá com os ouvidos
atentos e a verve inspirada para ajudar, cuidar. Precisa ser franco
o tempo todo, e assim o é com apenas uma exceção. Um assunto que
ele menciona para poucos (“porque poucos entendem”, como ele diz),
mas que percebe em todos: as pessoas se apegam às suas próprias
aflições. E olhe que ele não está falando de doenças ou sintomas
físicos, mas de um modo de viver a vida em desarmonia e criar
repetidas vezes problemas e inquietudes. Foi isso que ele me mostrou,
sobre mim mesmo. Estava lá na minha ficha, pude conferir, estupefato.
Após oito anos de consultas, retornos, abandonos, freqüências
e tratamentos, eu voltava ao consultório para repetir as queixas.
Uma dor aqui, outra acolá, todas causadas pelo mesmo jeito de
viver. Pelo jeito que criei ou, até, pelo jeito que eu sou – e
isso é difícil de admitir.
Ao
olhar suas anotações, cheias de frases que pontuaram minhas consultas,
percebi que não havia remédio que pudesse melhorar minhas dores,
a não ser eu mesmo. Mas por quais motivos criara um modus vivendi
que me trazia preocupações, dores, ansiedade? Isso veio ao encontro
de muitas leituras que fiz para esta reportagem, e a resposta
me atingiu em cheio, dando nó nas entranhas. “Todos temos uma
propensão a nos auto-enganar. Ela reside na capacidade que temos
de sentir e de acreditar de boa-fé que somos o que não somos”,
diz Eduardo Gianetti em Auto-engano. Ou, em outras palavras, podemos
muitas vezes buscar mudanças e até o autoconhecimento, sem nunca
arredar pé da estaca zero. Conhecer a si mesmo exigiria um pouco
de isenção, para não dizer humildade, para ver nossos defeitos.
E depois muita vontade para mudá-los. “Vontade para viver bem”,
como disse o médico Marcelo Jovchelevich. Nesse momento, lembrei-me
da teoria de uma pessoa que considero de bem com a vida, o precursor
da ioga no Brasil, professor Hermógenes, que inventou o termo
“egoesclerose”. Dessa forma ele classifica como “iludidas” as
pessoas que se vêem muito acima do que são.
E
isso é preciso ser dito, caro leitor. Se você vai pesquisar a
si mesmo, pode ser que se dê conta de comportamentos e vícios
emocionais que não lhe agradem. Eu com certeza não gostei de muitos
insights que tive durante a pesquisa desse assunto. Tanta coisa
nada bacana em mim, bem diferente do que eu projetava no espelho,
do que via de cima do pedestal. A boa nova lhe falo pessoalmente,
sem recorrer a experts: tropeçar nesses entraves me trouxe mais
para o chão, e a vida ficou mais real. Com muito mais poesia e
sabedoria, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) deixou
registrado, em seu clássico Além do Bem e do Mal, um consolo para
esses momentos de descoberta: “Quando a alma jovem, martirizada
por puras desilusões, finalmente se volta desconfiada sobre si
mesma (...), como se enraivece então, como se vinga por sua demorada
auto-obcecação, com se ela tivesse sido uma cegueira voluntária!
(...) Nessa transição (...) compreendemos que tudo isso era ainda
juventude!” Ou seja, muita calma nessa hora! A palavra maturidade,
não importa o número de velinhas que sopre em seu aniversário,
ajuda na exploração interior. “Identificar quais emoções tentamos
esconder por trás das máscaras, como vergonha, medo, orgulho,
é o primeiro passo”, diz Maria das Graças. “Quando descobrir algo,
trabalhe a questão sem pressa. Não se trata de passar de ano,
é seu processo de reforma, de encontro. Faça no seu ritmo”, orienta
a psicóloga.
Encruzilhadas
Sem
tanta parcimônia, algumas defesas que temos simplesmente evaporam
após intensas experiências que não nos deixam opções, a não ser
sentir “pra valer” a vida. Como nos emblemáticos ritos de passagem
– o nascimento, o casamento, a morte, o renascimento –, cheios
de vivências tão transformadoras. Não era exatamente o que Tiche
Vianna buscava, mas para ela o gravíssimo acidente de carro que
sofreu dez anos atrás trouxe um incrível renascimento. A morte
rondou sua vida, e por um tempo ela “quase não retornou” do longo
coma. Quando acordou, veio resoluta: para continuar a viver, faria
de cada instante uma experiência urgente e imprescindível. “Eu
simplesmente não tive escolha. Fui obrigada a aumentar a intensidade
do que vivia, ou estaria morta”, diz. Nesse novo batismo, ela
pôde enfrentar inúmeras barreiras internas – principalmente porque
ela é bastante familiarizada com o tema. Tiche ensina a seus alunos
da companhia de teatro Barracão, em Campinas, como desenvolver
suas próprias máscaras. Até por saber bem como foi difícil remover
algumas barricadas emocionais, Tiche faz questão de se manter
inquieta, sem se acomodar. “O mais importante para mim foi reconhecer
os passos que dei na vida, assim como os que não tive coragem
de dar. Com isso, aprendi que sem riscos não há vida.”
Outro
inquieto com quem pude conversar foi Federico Marmori, um italiano
simpático que nasceu em Roma, tem casa em Paris e faz doutorado
na China. Prefere comer pouco, mas sua família não vê sentido
nisso. A cada visita que faz a seus tios passa, praticamente,
todo seu tempo com eles à mesa, seja por um dia, um fim de semana
ou mais. Pão, vinho e saladas em demasia não o impedem de ser
submetido a um ou dois pratos (enormes) de pasta fumegante, com
muito molho, em cada uma das refeições. Federico não se importa,
chega a ser um momento nostálgico para ele, que mudou todos os
hábitos familiares em nome de uma saúde equilibrada. Tudo começou
em uma viagem que fez ao Nepal, quando tinha 18 anos (hoje ultrapassa
os 50, sem definir em quanto). “Foram meses e meses andando por
estradas lamacentas, experimentando provações. Para conseguir
comida e abrigo, me comunicava através de sinais. Muitas vezes
dormi ao relento, observando as estrelas, e a solidão sem fim
daquela jornada mudou minha vida completamente”, conta.
Até
hoje, quando começa a falar de experiências de vida, Federico
sempre cita essa viagem – feita há mais de 30 anos. E complementa:
“Um dia, faço de novo. Foi ali que descobri quem eu era, adquiri
os hábitos que me norteiam e decidi estudar plantas medicinais”.
Através de uma simples escolha – realizar uma longa viagem –,
Federico traçou um novo molde para sua vida, diferente do que
recebera na educação paterna, e que se mantém firme e forte, apesar
dos apelos. Que não vêm só da família, diga-se de passagem. Influências
e sugestões recebemos de todos os lados, da mídia e da indústria
da propaganda. Existem muitas propostas de alienação, que passam
pelas roupas que precisamos vestir para estar na moda e chegam
aos restaurantes a que precisamos ir para sermos vistos e comentados.
“É preciso olhar para sua própria vida e construir seus próprios
significados. O cultivo da própria personalidade é uma iniciativa
que irá ajudar na construção da realidade que você decide viver,
e não a que os outros lhe impõem. Um cidadão de bem, aliás, deve
ajustar a sincronia da sua vida a si mesmo”, diz Marcos Ferreira,
membro do Conselho Nacional de Psicologia.
A
receita
Bem,
aqui estamos a poucas linhas do fim da reportagem. Se eu conseguisse
arriscar uma só dica que fosse a campeã para a investigação da
persona, eu falaria que mudar a freqüência seria a chave para
vermos aquilo que, muito provavelmente, está escrito na nossa
cara. Em correspondência a isso, mover a câmera da nossa percepção
por dentro, por fora, em nós e nos outros. Rever nosso “fundo
das emoções”, questionar a beira rasa dos hábitos diários. Anotar
gostos, desgostos, afetos, preferências, manias, gírias, cacoetes.
Experimentar dizer diferente, falar de outra forma, sentir o que
se sente. Aceitar nossas semelhanças, valorizar nossas particularidades.
Em suma, ver, de verdade. “Ousar saber quem se é para poder repensar
a vida e tornar-se quem se pode ser”, como afirma Gianetti em
seu livro citado anteriormente.
Mas
eu, definitivamente, abro mão de saber qual seria o caminho das
pedras nessa busca tão pessoal. Prefiro que pensemos juntos em
um enorme painel. Onde você pudesse colocar todas as fotos que
tem de você mesmo (e as que já perdeu ou rasgou ou xingou e jogou
fora). Junto a elas, não economize: anexe as imagens de pessoas
importantes de sua vida. Isso, deixe o mural completo, sem faltar
nada nem ninguém. E faça de conta que ele existe, digamos, em
alguma parede da sua casa. Uma que estivesse no seu caminho quando
fosse deixar o recinto, ir para a rua e encarar a labuta. Todos
os dias você escolheria uma foto. Em um dia, você olharia para
a parede de fotos e seria, novamente, uma criança a jogar bola
com os moleques da rua. Noutro dia, voltaria a ser parte da turma
da faculdade, cantando a pleno pulmão um dos hits daquela época.
E
em um belo dia, sem mais nem menos, você seria apenas o ponto
zero, o que não está escrito, o que não foi feito nem fotografado
ainda. Seria o ator principal da sua próxima imagem, aquela que
você construísse, com consciência, para si e para o exame do mundo.
Enfim, um dia, seria você o autor da sua própria identidade, da
sua própria vida. Dono da sua imagem.
*
Artigo
publicado originalmente na Revista Vida Simples.
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